terça-feira, 30 de outubro de 2012

O câncer

O mundo não é todo o tempo cor de rosa e há alguns anos ele  foi bem nublado para mim por meses até o sol surgir de novo.

Quando eu tinha 13 para 14 anos descobri que estava com câncer de tireoide, imagina não tinha nem me formado no ensino fundamental ainda, e com câncer. Isso era final de 2005.

Descobri o câncer por causa de uma amiga, minha melhor amiga, e meu verdadeiro anjo da guarda, Jéssica 


Eramos colegas no colégio e no final daquele ano ela viu uma bola no meu pescoço e disse que aquilo não era normal e me pediu para ir no médico.

Acabei me esquecendo, naquela época emagreci muito, mas nem dei bola imagina aquela paranoia por ficar magra e eu estava magra então estava tudo bem, meus cabelos também caíram.

Eu nunca fui uma criança de ficar doente, nunca peguei um resfriado a última vez que eu me lembrava que tinha que ter ido no médico tinha sido por causa da rinite que tinha resolvido aparecer.

Quando me lembrei e mostrei para a minha mãe, começou a saga como eu chamo, temos um médico clínico geral que quando estamos com algo suspeito sempre vamos nele primeiro ele é muito bom, mas não foi daquela vez ele nos indicou para um outro médico (não me lembro a especialidade dele) que teve a cara de pau de dizer para mim e para minha mãe que talvez não fosse preciso fazer biópsia. Minha dinda outro anjo que apareceu na minha vida.


Minha dinda disse que aquilo não era normal, a bola era enorme qualquer movimento que eu fizesse com o pescoço ela era visível, e ela própria marcou uma Endocrinologista para mim na Santa Casa aqui de Porto Alegre, a minha médica até hoje a Drª. Carolina Leães, que por mais nova e inexperiente que ela fosse naquela época foi extremamente rápida e agiu de forma com que todos os médicos deveriam agir.

Minha Drª. disse que aquilo não era normal de jeito nenhum e fiz uma bateria de exames, sangue (TSH e T4 hormônios da tireoide), radiografias, tomografias, cintilografias, ressonâncias magnéticas, ecografias cervicais e até punção eu fiz (um tipo de biopsia no qual recolhe o conteúdo do linfoma para análise), e dai o resultado da punção deu negativo para câncer, mas a minha taxa de TSH era altíssima e aquilo era sinal de câncer porque o câncer nada mais é do que células do teu corpo se reproduzindo sem controle e isso acaba fazendo mal e no meu caso as células da minha tireoide estavam completamente sem controle.

Em Janeiro de 2006 eu fiz a minha primeira cirurgia, que inicialmente era para ser exploratória e para a  retirada a metade da minha tireoide e com ela a bola invasora, era para ser um procedimento cirúrgico simples, mas acabou que quando "me abriram" viram que não era só a bola que existia e assim toda a minha tireoide foi retirada e eu fiquei internada no hospital por um mês. 

Após a minha alta recomeçaram exames e exames e o meu TSH não diminuía e na cintilografia apareciam mais e mais células descontroladas, era hora de consultar um Oncologista.

Naquela época não fazia ideia do que era um oncologista fui descobrir recentemente acreditem. O meu segundo e salvador cirurgião foi o Dr. Daniel Sperb, foi o médico que eu menos vi, mas o que salvou a minha vida.

No final de Abril de 2006 fui outra cirurgia, mais complicada onde foram retiradas as minhas paratireoides também e feita uma raspagem para que fosse retirada 200 "mini" linfomas. 


É ruim ver uma foto dessas? é muito ruim, mas me faz lembrar pelo que eu passei e agradecer por estar viva hoje.

Depois da segunda cirurgia tive complicações, acabei tendo algumas convulsões que quase me mataram no estado debilitado no qual eu estava e acabei tendo depressão ( esse é o motivo por eu "gostar" tanto de falar sobre esse transtorno), tomava 9 remédios por dia pelo menos, entre eles agora eu tenho que tomar hormônios pelo resto da minha vida artificialmente, cálcio e vitamina D pois as paratireoides eram quem comandavam esses elementos no meu corpo, além do fluoxetina para depressão e risperidona para os ataques convulsivos. (hoje só tomo o meu remédio hormonal que eu não posso viver sem)

Me lembro como se fosse hoje um dia que eu tive um ataque convulsivo que a minha mãe que estava sempre comigo, chamou a minha avó para rezar por mim, acordei e lá estava eu com várias imagens de santinhos na minha volta (minha vó reza todas as noites para todo mundo que ela conhece e reza para muitos santos) e a minha vó dormindo do meu lado e a minha mãe escorada na janela e eu sem lembrar de nada daquilo, nos ataques convulsivos eu apagava totalmente.

Não me recordo de muitas coisas que aconteceram no hospital, hoje eu sei que por causa do meu sistema de defesa me fez "esquecer".

Após a segunda cirurgia tive que fazer Iodoterapia, que nada mais é que radioterapia, mas especial para tireoide, fiquei uma semana isolada, mas depois dessa semana eu fui para casa, para nunca mais voltar a ficar internada no hospital.

Fiquei sabendo depois que o meu câncer era bastante agressivo e estava em um estágio bastante avançado e que se eu demorasse mais um pouco não seria possível fazer mais nada.

Hoje eu tenho só duas cicatrizes no pescoço que se eu não falo muitas pessoas nem desconfiam do que eu passei.

Naquela época eu tive momentos bem nublados, com meses sem voltar para a escola por causa da depressão, agradeço a compreensão dos meus professores por me ajudarem quando eu retornei as aulas, e as minhas amigas que levavam os cadernos todos os dias para que eu me atualizasse.

Agradeço pela minha família inteira porque eu sei que todos rezaram por mim nesse meu momento difícil, choraram quando eu piorei e foram me visitar e me ajudaram na minha recuperação.

Agradeço principalmente a minha mãe que ficou do meu lado dia e noite noite e dia dentro do hospital, cuidando de mim me dando banho e tudo mais. Mãe muito obrigado por tudo.




Um fato a ser contado é que na época da cirurgia eu tive usar um dreno para que toda as impurezas da cirurgia fosse retirada e como era branco e eu tinha que andar com aquilo por todo o lado que eu fosse eu e a minha mãe apelidamos de meu cachorrinho e no final acabei ganhando um cachorrinho a minha Mia, que está comigo até hoje.



Quis contar isso por causa da angústia que estou sentindo, depois 7 anos nos meus exames de rotina apareceram uma bolinhas que não estão saindo, primeiro pensávamos que fosse por causa da rinite ou da sinusite até uma gripe mal tratada poderia ser a causa, mas eu fiz um tratamento e mesmo assim a bolinha não saiu e ela está crescendo. Se eu estou com medo? estou, estou com muito medo de que o câncer volte. e precisava desabafar.

Vou manter esse blog atualizado não somente de maquiagens, moda ou psicologia, mas também dos diagnósticos.


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