segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Luto


Talvez muitas pessoas não entendam o porque estou de luto junto com todo o meu Rio Grande do Sul, mas estou aqui para mostrar a minha solidariedade.

Ao acordar ontem, vi a notícia e um filme me passou pela cabeça, das vezes que eu fui para festa para me divertir, das vezes que a minha mãe me pediu para que eu não fosse em algumas festas, das vezes que como aqueles que estavam na boate só queriam se divertir, assim como eu quando saio.

Imagino a dor de pais e familiares das vítimas que hoje estão sendo sepultadas ou veladas.

Há pessoas no Brasil que não entendem e ainda fazem piada com a dor de centenas de famílias, vi diversas piadas de paulistas, cariocas, mineiros e outras naturalidades do Brasil fazendo piada com a nossa dor.

Hoje o meu Rio Grande do Sul amanheceu triste e sofrido, pois foram 231 (até agora e se Deus quiser não passará desse número), vidas de jovens de no máximo 25 anos que ficaram naquela boate.

Jovens que estavam começando uma vida, que tinham sonhos se não iguais bem parecidos com os meus, jovens que assim como eu estavam na faculdade, jovens que assim como eu estavam só querendo se divertir com os amigos.

Os culpados? hoje não importa, mas sim quero justiça, e sim quero que a fiscalização não falhe nunca mais, pois podia ser eu naquela boate na madrugada de domingo ou algum familiar meu. Felizmente ninguém da minha família estava em Santa Maria.

Minhas sinceras considerações a todas famílias que estão velando e sepultando seus jovens e também as famílias que estão nos hospitais esperando por notícias.

Deixo uma mensagem de Fabrício Carpinejar, que mostra como o meu Rio Grande do Sul está e vai ficar por muito tempo.

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta. 
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. 
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013. 
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada. 
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa. 
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio. 
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda. 
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa. 
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram. 
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo? 
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista. 
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal. 
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso. 
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.


Agradeço a todos os enfermeiros, médicos, psicólogos, policiais, bombeiros vocês sim são verdadeiros HERÓIS!

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